Chácaras Urbanas

Publicado por: | Em: 17 mar, 2011 | No Blog | 1 resposta

São Paulo adere ao movimento das Urban Farms(Chácaras Urbanas), liderado por gente que quer ter controle sobre o que come ou apenas matar a saudade da infância na roça.

Há seis meses, a advogada Gabriela Monteiro de Barros trocou as flores que tinha no fundo do quintal de sua casa, no Jardim Paulistano, por uma horta. Não estava cansada da bela-emília que ficava ali, mas o sol, que bate fortemente naquele canto, deixava a planta seca e amarelada. Gabriela pensou no que fazer com o espaço. Soube que hortas precisam de muita luz e resolveu tentar. Deu certo, e a decisão mudou sua rotina. “Todo dia tenho de inventar um prato para poder usar o que colho”, diz. Para Gabriela, as plantas que ela mesma tira da terra têm um sabor mais pronunciado que as semelhantes compradas no supermercado. “Não dá tempo de perder o gosto. Você colhe o manjericão e coloca no tomate naquele minuto.”

Ela conta que tem convocado os amigos para exibir a colheita. Além de serem usados diretamente nas receitas, os produtos da horta também temperam os azeites que ela aprendeu a preparar. Gabriela faz isso por hobby. “Olhar, namorar é o grande prazer. Acho que substitui um pouco o animal de estimação”, afirma. “Quando eu tinha flores aqui, não vinha ao jardim a toda hora. É engraçado: quando você vai comer o que planta, o olhar muda.” Para quem, como ela, vive em ritmo acelerado, a horta oferece uma vantagem adicional em relação às plantas ornamentais: dá bem menos trabalho. “É pá-pum! Em 20 dias, ela cresce. E ainda aguenta um pouco de desaforo: é só regar de manhã e à noite que ela se vira”, diz. “Não é que nem bonsai, que demora 60 anos e precisa de atenção sempre.”

No mundo inteiro, gente que sempre morou em cidades grandes está aprendendo a fazer sua chácara urbana, plantar e colher a própria comida em casa. Assim como Gabriela, uma outra advogada resolveu converter o jardim em lavoura. No fim de março, a primeira-dama americana, Michelle Obama, deu uma entrevista coletiva para falar sobre sua horta orgânica de 100 metros quadrados. É a primeira na Casa Branca em mais de 60 anos. A última foi plantada pela mulher de Franklin Delano Roosevelt, Eleanor Roosevelt, que em 1943 lançou a campanha dos “jardins da vitória”, conclamando os moradores da zona urbana a plantar seus próprios legumes para apoiar o esforço de guerra. Hoje, a batalha é outra. A intenção da primeira-dama dos EUA é encorajar o mundo a ter uma alimentação mais saudável e, assim, reduzir a dependência de grandes fazendas – que consomem muito combustível com o transporte entre o campo e a cidade, além de utilizar produtos químicos para fertilização e defesa contra pragas.

Em meados de junho, a rainha Elizabeth II aderiu à iniciativa de Michelle Obama e reservou uma área de 65 metros quadrados nos jardins do Palácio de Buckingham para plantar beterrabas, cenouras, milho-verde e uma espécie de vagem em extinção
chamada de “rainha azul”. A intenção é, como os americanos, preservar o meio ambiente e promover um estilo de vida mais saudável.

METRÓPOLES COMO NOVA YORK E CHICAGO APOIAM QUEM QUISER TRANSFORMAR SEU TELHADO EM LAVOURA.

O que Michelle Obama e a rainha Elizabeth esperam é ver um número maior de pessoas que topem trocar o conforto da indústria de comidas prontas por uma relação mais próxima com a natureza. Gente como Silvia Corbucci, de 28 anos, que mora na Vila Madalena, numa casa térrea, com o namorado, a cadela Menina, o cachorro Chien – e também com três bananeiras, um pouco de trigo (não está vingando; a Menina come quando ainda está muito verde), duas cerejeiras (que já estavam na casa quando ela chegou), pés de brócolis, de boldo-do-chile, além de cebolinha francesa, hortelã, ervacidreira, tomilho, alface, capuchinha, jambo e espinafre.

Silvia se formou em arquitetura, mas não foi trabalhar com projetos de casas. Ela começou a cozinhar profissionalmente num pequeno restaurante e hoje é gerente de alimentos de uma rede de casas especializada em frango. Começou a plantar no segundo ano da faculdade. “Passei a cozinhar e também a ter, timidamente, uma ervinha, um manjericão. Esses vasinhos de supermercado”, conta. À medida que seu envolvimento com as panelas se tornou mais intenso, o propósito de sua horta evoluiu. “Eu planto porque gosto de tomar conta do processo completo da alimentação”, diz Silvia. “Um dos meus objetivos é deixar de participar só do momento do consumo e estar presente também no momento da origem e do destino.” Além da horta, Silvia tem uma composteira no quintal, onde transforma lixo orgânico em adubo. Para ela, plantar a própria comida é, além de tudo, uma forma de poluir menos – cada alface que deixa de comprar no supermercado é uma embalagem plástica a menos que manda para o caminhão.

Nos EUA, uma ideia para, de uma só tacada, reduzir emissões de carbono e melhorar a dieta está ganhando adeptos: tornar-se um “locavore”. O termo designa pessoas que só consomem alimentos produzidos a, no máximo, 160 quilômetros de distância de onde vivem. De dois anos para cá, o movimento cresceu e ganhou a atenção do poder público. Em San Francisco, na Califórnia, as praças próximas à Prefeitura foram convertidas em hortas comunitárias. Em Detroit, as plantações em terrenos baldios fazem parte de um programa de socialização de ex-presos.

Nova York e Chicago oferecem subsídios para moradores, escolas e proprietários de edifícios comerciais que queiram transformar seus telhados, floreiras e helipontos em lavouras. Em São Paulo há, também, desde 2004, um programa semelhante, o Proaurp: Programa de Agricutura Urbana e Periurbana. Nele trabalham técnicos de três secretarias (do Verde e do Meio Ambiente, do Trabalho e da Coordenação das Subprefeituras), que ajudam moradores de áreas carentes que queiram trabalhar em hortas comunitárias na cidade. “A gente tem a impressão de que, em São Paulo, não existem mais áreas disponíveis”, diz Nísia Serroni, a coordenadora. “Mas há, sim, e muitas. São áreas públicas, ociosas, que estão virando lixão e que podem ser adequadas para a implantação de hortas.” A maior parte dessas hortas fica em áreas periurbanas, regiões da metrópole com características rurais, como Engenheiro Marsilac e Parelheiros. Nísia estima que, no total, cerca de 250 hortas façam parte do programa, que tem um orçamento anual de R$ 400 mil. A verba paga os técnicos e a compra de insumos, ferramentas e adubos. Além das hortas comunitárias em áreas públicas, o Proaurp também se encarrega daquelas feitas em escolas municipais e estaduais.

A colheita é sempre de quem trabalha na terra. Geralmente, os produtores consomem os produtos e vendem o excedente. Há um projeto da Prefeitura para, a partir do segundo semestre, montar barracas de agricultura urbana nas feiras livres da cidade, e dessa forma aproximar produtores e consumidores. Projetos governamentais de agricultura urbana não são novidade. Quando Franco Montoro era governador do estado, a então primeira-dama, Lucy Montoro, tocou um programa semelhante, que foi abandonado posteriormente. Ainda há uma reminiscência dessa época. É um conjunto de hortas cultivadas embaixo das torres de transmissão de energia no bairro de Rudge Ramos, em São Bernardo do Campo. Na década de 80, o programa de governo estabeleceu a plantação no espaço, que mais tarde foi consignado a uma ONG, a Associação Global para o Desenvolvimento Sustentável (AGDS). Até hoje, a AGDS escolhe quem irá plantar na área. Cada beneficiado decide o que cultivar e que destino dar à colheita. A grande maioria opta pelas hortaliças. Segundo Nelson Reis Pedroso, presidente da AGDS, são cerca de 45 mil metros quadrados de plantação divididos entre 80 famílias.

MÃO À HORTA

Dicas práticas para agricultores urbanos de primiera safra.

1) Hortas exigem uma dose de dedicação, outra de conhecimento técnico e, principalmente, sol. “Sol é fundamental”, diz a herborista Sabrina Jeha, uma das sócias do viveiro de plantas Sabor de Fazenda. “Tanto hortaliças quanto ervas precisam de
quatro horas de luz do sol por dia.”

2) Quem vive em apartamento pode plantar em vasos que tenham pelo menos 20 centímetros de altura e um furo no fundo, para escoar a água. É preciso colocar uma camada fina de pedra (ou argila estendida) no fundo, uma manta de drenagem por cima e cobrir com húmus ou composto orgânico.

3) É mais fácil começar com mudas de plantas e não com sementes – mais complexas de lidar. André Timm, que mostra o desenvolvimento de sua horta urbana no blog Verde na Varanda recomenda começar pelos temperos, como salsinha e manjericão.

4) Quando são novinhas, as plantas precisam de mais água. É importante regá-las três vezes ao dia. Depois de crescidas, é possível reduzir a uma rega por dia, pela manhã, de preferência.

5) Timm diz que é bom prestar atenção às folhas das plantas, para ver se não estão ficando secas. Para saber se é hora de uma nova rega, vale afundar o dedo na terra e checar o grau de umidade.

6) Para afastar predadores, como os cascudinhos, Sabrina, do Sabor de Fazenda, indica um produto de origem indiana chamado torta de nim, um pó que se coloca na terra.

Luiz Roberto dos Santos, um balconista de 37 anos, também gosta de hortas e planta em São Paulo, mas sua trajetória começou no campo. Ele mora desde 1998 na favela do Arriba Saia, que fica na movimentada Avenida Jornalista Roberto Marinho, na altura da Avenida Washington Luís. As casas do conjunto têm um recuo de dez metros do asfalto. Santos aproveitou esse espaço para plantar. Se comparado a qualquer pedaço de terra no interior, os 160 metros quadrados onde ele planta não são nada. Mas numa favela em São Paulo é bastante. “Muita gente vem perguntar da horta. Eu falo que sou da roça e sempre plantei”, afirma Santos. “Lá a gente costumava mexer com terra e eu me acostumei. Arrumei esse pedacinho de terra e resolvi plantar.”
Ele nasceu em Minas Gerais, numa cidade chamada Dores do Turvo, mas foi logo cedo para Abreus, distrito do município de Alto Rio Doce, a 200 quilômetros de Belo Horizonte.

Aos 6 anos, começou a plantar com a família. Tinham milho, feijão, arroz, café, “tudo o que era comida dentro de casa a gente colhia na roça”, conta. Hoje, ele é o único que cuida da horta. Segundo Santos, “no começo deu mais trabalho. Tinha muita pedra no terreno e deu trabalho para tirar”. E o movimento incessante de carros traz um problema: a poluição. “As folhas não ficam bonitas por causa da poluição dos carros, que jogam esse pó de asfalto aí. Tem que lavar bem lavado para comer”, explica. O “pó de asfalto” de que ele reclama é uma mistura de desgaste de pneus e fuligem de diesel, explica o microbiólogo Robinson Andrade, da Faculdade de Agronomia da USP. “Pode acontecer de isso se acumular em cima das folhas. Em São Paulo tem muito, mesmo. Quando chove, a mistura vai para o solo e daí a planta absorve”, alerta. “Solos urbanos são mais pobres”, diz Adriana Maria de Aquino, a pesquisadora da Embrapa Agrobiologia. Ela acha que o tipo de plantação ideal para as cidades é a ecoagricultura, que não usa agrotóxicos e restaura a vida na terra.

Essas dificuldades, no entanto, não inviabilizam a produção, diz ela. Santos prova isso na prática. Ele fala algumas vezes do talento que tem como agricultor – diz que tem “mão boa”. “Tudo o que eu plantar pega”, declara. Daí a grande quantidade de plantas da sua horta. Tem quiabo, couve, cana, manga, abacate, goiaba, bananeira, manjericão, alecrim e várias outras. Numa colheita, ele diz que já tirou 15
quilos de feijão. Algumas coisas ele deixou de plantar, como alface, por exemplo. É que alguns vizinhos pegavam escondido. Em 2009, Santos decidiu ir além e montou uma pequena granja. Hoje tem 24 galinhas e dois galos. Ele começou a criar os bichos para usar o esterco como adubo. Mas descobriu que podia financiar a horta com a criação. A cada dez dias, Santos vende os ovos para uma lanchonete na Sé. Fatura R$ 35. Gasta R$ 27 em milho e farelo para as galinhas e, com o que sobra, compra sementes. Além disso, quando uma galinha deixa de produzir, ela vai para a panela.

Coisas da Neide

No quintal (e nas panelas) da pesquisadora, só entram ingredientes esquecidos ou injustiçados. Jurubeba “Amarga de doer, mas gostosa idem”, diz Neide. Por sua intensidade, deve ser usada como tempero, depois de domada por um tempo em conserva. Camapu cresce rasteiro, junto à grama, nas calçadas. Adorado pelos confeiteiros, por sua estética, é vendido a pequenas fortunas nos empórios chiques. Cará-Moela também chamado de cará-do-ar, é um tipo de inhame que cresce sobre muros e cercas, como uma trepadeira. Na cozinha de Neide, vira purê. Flores de iúca no México, são conhecidas como vela-de-pureza. A tradição manda comê-las com ovos mexidos, na Semana Santa. Em São Paulo, quase ninguém conhece. Araçá a frutinha da família da goiaba é ideal para compotas. Era tão comum em certas ruas de São Paulo que deu nome ao cemitério da Rua Dr. Arnaldo. Palma é a folha da planta de figo-da-índia. No sertão, alimenta o gado – ou quem não tem o que comer. Na casa de Neide, vira salada e até pão.

Mais nova de gente que migrou do campo para São Paulo. Mas, antes dele, outros milhares de pessoas trouxeram os hábitos da roça para cá. É o caso de Dona Luiza Zaia Rosa, de 78 anos, que veio de Rio Claro para a capital aos 20, para trabalhar como
empregada doméstica. Sua casa, na Vila Madalena, fica em um terreno de 630 metros quadrados. A área construída é pequena, de não mais de 100 metros quadrados. Todo o resto é ocupado pelo jardim, onde ela aluga 15 vagas de estacionamento, e por uma extensa gama de árvores frutíferas e hortaliças. Tem araçá, caqui, jambo, feijão, milho, chuchu, morango, romã, lima-da-pérsia, pitanga, manga… “Toda a vida eu gostei de plantar”, diz Dona Luiza. Ela vive nesse endereço desde 1970. Há 12 anos, cheia de saudade da roça, mandou construir uma cozinha caipira, onde passa o dia.

Santos pertence a uma geração

Há um forno de barro, no qual assa pães e bolos, e as paredes são decoradas com casca de tatu e de tartaruga, além de telhas pintadas e uma carranca. Tudo bem rústico. “Tinha um coqueiro aqui”, diz Dona Luiza, apontando para o meio da cozinha. “Mas, toda vez que caía uma folha, quebrava as telhas. Eu não queria tirar o coqueiro, mas não teve jeito”, lamenta. As irmãs de Dona Luiza moram a três casas de distância e também têm um quintal parecido com o dela, mas menor e com menos plantas. Elas têm até um poço artesiano. Sem bomba. Usam um balde amarrado numa corda para pegar a água – como se estivessem na roça. Perto dali, no bairro da Lapa, uma paulistana que sempre viveu na cidade se dedica a manter vivas tradições como as das irmãs da Vila Madalena. É Neide Rigo, de 47 anos. Ela se define como uma colecionadora – e cultiva plantas abandonadas pela culinária moderna. “Ingrediente internacional e importado está cheio por aí”, afirma Neide. “Agora, temos alimentos nossos, que estão aqui e aos quais as pessoas não dão mais valor. Acho que precisamos conhecê-los, já fizeram parte da nossa cultura e não podem ser simplesmente deixados para trás.” Em seu quintal, hortaliças consagradas como alface ou rúcula não têm lugar. Os ingredientes que crescem ali são os esquecidos e os injustiçados. Curuá. Mangarito. Araruta. Ora-pro-nobis. Palma. Neide demorou para encontrar algo que realmente gostasse de fazer. Ela estudou três anos de jornalismo.

Abandonou para cursar artes plásticas, que depois trocou por nutrição. Quando morava no conjunto habitacional para os alunos da Universidade de São Paulo (o Crusp), começou a plantar na própria Cidade Universitária. Nunca parou. Hoje, além de cultivar, ela faz uma espécie de extrativismo urbano, principalmente na Lapa, onde mora. Caminha pelo bairro, atenta a plantas que passam despercebidas pela maioria. Já catou physalis na calçada, flores de iúca em canteiros de avenidas e araçá no muro de uma casa. Como trabalha com cozinha experimental, transformou cada um desses achados em receitas. Quando foi trabalhar com Neide, a doméstica Eliana de Oliveira estranhou um pouco os hábitos alimentares da patroa. “Descobri que muita coisa que eu sabia que existia podia ser usada para comer”, afirma. “Sou baiana, de Santaluz. Lá tem palma, mas quem come é bicho. Aqui já comi um pão de palma e uma torta. Agora eu gosto.” Outro exemplo de refeição preparada por Neide: uma salada de toranja com folhas de dente-de-leão (uma plantinha rasteira, sempre confundida com erva daninha, que ela colheu numa praça perto de casa) e trevos (sim, esses trevos que crescem em todo canto sem serem convidados). Para o prato principal, camarão acompanhado de arroz com jurubeba em conserva. A jurubeba é uma planta que parece uma ervilha gigante, e cujo gosto amargo lembra um pouco o do jiló. No meio do arroz, fica suave.

Foi Neide mesma que preparou a conserva com a jurubeba que pegou na frente de uma casa em reforma. Os pedreiros lhe disseram que iam derrubar o muro e jogar “aquele mato” fora. Neide tratou de levar tudo para o seu quintal. São Paulo guarda exemplos mais extremos de tentativas de resgatar um modo de viver em maior harmonia com a natureza. No bairro do Campo Belo, na Zonal Sul, perto da movimentada Avenida dos Bandeirantes, uma casa-modelo fundada há sete anos se propõe a provar que é possível viver na cidade causando o mínimo de danos ao ambiente. Trata-se de uma ecovila, chamada de Casa dos Hólons, onde Paulo Peres, de 40 anos, vive em uma cabana de dois andares, feita de materiais descartados, restos de demolição, madeiras encontradas na rua e telhas antigas. Tudo é construído segundo os princípios da permacultura, ciência que estuda a agricultura sustentável.

HORTALIÇAS CULTIVADAS EM 250 HORTAS COMUNITÁRIAS SERÃO VENDIDAS EM FEIRAS LIVRES A PARTIR DO SEGUNDO SEMESTRE

Na prática, os moradores da Casa dos Hólons reduzem ao máximo o consumo de novos produtos e se esforçam para não mandar detritos nem para o caminhão nem para o esgoto. Tudo é tratado por eles mesmos. Para dar vazão ao adubo literalmente caseiro, eles plantam. Mas essa não é a única motivação: “Plantar sua comida é maravilhoso”, diz Peres. “Não tem nada melhor do que saber de onde vem aquilo que você põe no prato. A gente sente como necessidade básica de vida saber lidar com as plantas, saber usar as plantas companheiras, os defensivos agrícolas naturais.” Ervas, temperos e plantas medicinais compõem os canteiros do jardim. Os telhados das cabanas também fazem as vezes de canteiros e são reservados para as hortaliças que precisam de muita luz. Também foi implantado um sistema de captação de água das chuvas e uma oficina de reciclagem. Peres é paulistano. Cursou biologia, mas não se formou, e foi morar no campo. “Acho que foi uma evolução ter ido morar na roça”, afirma. “Comecei a cuidar de cavalo, ovelha. Em vez de ter cachorro, todo mundo deveria amar as plantas.”

Por: FELIPE GUTIERREZ

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1 Resposta

  1. erondina
    25 de julho de 2012

    gostei dessa ideia de ter em casa uma horta muito bom

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